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História do Cacau e chocolate

alex em Notícias


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– O chocolate nasceu na América pré-colombiana, entre 5.000 e 15.000 anos atrás. Os primeiros registros do consumo do cacau aparecem na civilização Maia, no sétimo século. Os Maias faziam uma bebida tônica com sementes de cacau, usada em cerimônias religiosas e batizada de “chacau haa” ou “Xocoatl”.

1200 – Os Toltecas, povo que sucedeu os Maias após o desmoronamento do seu império, continuaram com o cultivo do cacau, com o nome de “arvore do paraíso”. As amêndoas de cacau foram transformadas em moeda corrente em toda a América Central. Os Astecas – que derrotaram e sucederam os Toltecas no hoje território do México – também contribuíram para a manutenção da cultura e da importância do cacau. O tesouro do império Asteca na cidade de Tenochtitlan (hoje Cidade do México) não era em ouro, mas constituído por 960 milhões de amêndoas de cacau (a moeda, comestível, que nascia em arvores!).

1502 – Cristóvão Colombo descobriu o chocolate, mas foram os conquistadores que o sucederam que atentaram para a “prata que nasce em árvores”. Em 1513, Hernando de Oviedo y Valdez relatou que havia comprado um escravo por 100 amêndoas de cacau.

1519 – Quando o conquistador Hernan Cortes desembarcou na costa de Tabasco em abril de 1519, o imperador Asteca Montezuma acreditou que se tratava do rei deus Quetzalcoatl, cujo retorno pelo mar estava previsto na lenda. Os astecas deram as boas vindas e aceitaram a dominação espanhola, e os introduziram na cultura do cacau e no consumo do chocolate, uma bebida que acreditavam ter propriedades afrodisíacas.

1528 – Cortes retorna para a Espanha levando amêndoas de cacau e os equipamentos necessários para preparar o chocolate. As instruções foram registradas numa crônica de 1530: “você usa 30 amêndoas para um quarto de água, grelhadas e trituradas. Acrescente então pigmentos naturais de laranja e, frequentemente, especiarias”. Mas o conquistador espanhol havia introduzido o cultivo da cana-de-açúcar no México. A idéia de acrescentar açúcar e, também, baunilha, na receita pré-colombiana, acabou por fazer o chocolate (alimento de origem americana) conquistar toda a Europa.

1606 – Embora cuidadosamente guardada pelo corte espanhola, as receitas e o consumo do chocolate logo se espalhou para a Bélgica. Na Itália, o mercador Anton Carletti conseguiu quebrar o monopólio espanhol no cultivo e comercio do cacau, se tornando um mestre na arte de preparar o “ciccolattieri”.
1615 – A jovem princesa espanhola Anne da Áustria levou seu amor pelo chocolate para a corte francesa, ao se casar com Louis XIII. Seu exemplo foi seguido por Maria Theresa da Áustria, esposa de Louis XIV, que se dizia ter duas paixões: o rei e chocolate. Versailles impôs para a sociedade européia a bebida divina, que era tomada grossa e espumosa.

1657 – A primeira casa de chocolate abre em Londres. O alto preço do cacau limita o seu acesso apenas para os mais abastados. Com a posterior queda dos preços, outros estabelecimentos são abertos, como ocorria com as casas de café, de chá, e os bares.

1671 – O chefe de cozinha do Duque de Plessis-Praslin derrama acidentalmente calda de açúcar quente sobre nozes. O Duque fica encantado com o resultado e, posteriormente, chocolateiros belgas melhoram a receita, recobrindo-a com chocolate.

1674 – Enquanto o chocolate era consumido apenas como bebida na Europa, “confectioners” ingleses passam a adicionar cacau a suas misturas de bolo. O chocolate é comido, pela primeira vez. Outra novidade aparece no final do século 17 para início do século 18, na França, no reino de Louis XV. Pastilhas de chocolate doce para levar em lindas latas de embalagem.

1697 – A Bélgica se torna um renomado centro de chocolate. É em Bruxelas que o prefeito de Zurich decobre o chocolate e decide introduzi-lo na Suíça. Uma iniciativa que levou a deliciosas conseqüências.

1704 – No final do século 17 o chocolate invade a Alemanha. Mas, com a política de restrição às importações, Frederico I da Prússia decide taxar o chocolate.

1711 – O imperador Charles VI transfere sua corte de Madri para Viena, trazendo consigo o amor pelo chocolate para a Áustria.

1712 – Na virada do século 18, o chocolate volta para a América do norte. Em pouco mais de uma década, floresce a propaganda em Boston para o chocolate vindo da Europa.

1746 – Estabelecimentos onde se consome bebidas achocolatadas ainda é moda. Por volta de 1720 cafés de Veneza e Florença se destacam pala sutileza na preparação da bebida. Mas a grande inovação aconteceu na Inglaterra em
1746 quando integrantes do primeiro clube de amantes do chocolate resolvem substituir a água pelo leite.

1746 – Sementes de cacau provenientes da região amazônica são trazidas para o sul da Bahia e plantadas na fazenda cubículo, margens do rio pardo. Devido ao sucesso, plantações se espalham por cerca de 600 mil hectares no sul do estado, iniciando ali um novo e longo ciclo de preservação de arvores centenárias da mata atlântica e de produção de cacau de qualidade. A vegetação densa e de grande porte, o solo rico em minerais e com afloramento de rochas, o relevo ondulado, e o clima chuvoso, revelam-se ideal para o cultivo do cacau.

1778 – O francês Doret inventa uma máquina para esmagamento das amêndoas de cacau e para misturar e fundir a pasta de chocolate. A revolução industrial dá sua contribuição para o que conhecemos hoje como indústria do chocolate. A qualidade do chocolate é função de três elementos essenciais: da seleção e limpeza das amêndoas, do tratamento térmico dos grãos, e do fino processamento e combinação com adoçantes, leite e especiarias.

1819 – François Louis Cailler abre a primeira fabrica suíça de chocolate nas margens do lago Leman. Registra-se ali a produção da primeira barra de chocolate da história.

1828 – O químico alemão Coenraad Johannes Van Houten patenteou um sistema de prensa hidráulica para retirar a manteiga da massa do cacau. A operação reduzia o teor de gordura do cacau de cerca de 50% para em torno de 27% permitindo a pulverização da massa de cacau (chocolate em pó).

1847 – Na Inglaterra, os irmãos Francis e Joseph Fry utilizam o sistema de Van Houten, e descobrem uma nova combinação da massa amarga do cacau com açúcar e manteiga de cacau, criando um novo sabor.

1879 – Na Suíça, o químico Henri Nestlé (que em 1867 criou a fórmula para pulverização do leite através da evaporação), juntamente com o produtor de chocolate Daniel Peter, inventaram o chocolate ao leite, acrescentando à massa de cacau, leite em pó, açúcar e manteiga de cacau. Estava criado o chocolate em barra. Em 1879, Lindt aperfeiçoou a técnica de “conchagem” com o que se desenvolveu o aroma e deu suavidade ao sabor do chocolate.

Obs: embora considerado um marco na história da industria de alimentos, hoje se sabe que o leite bloqueia a capacidade do organismo humano de absorver os antioxidantes presentes no cacau…

1900….Desenvolve-se a industria de chocolate

1990 – Pesquisas científicas estabelecem a comparação entre o cacau natural e o chocolate industrializado. As conclusões demonstram a danificação e perda de inúmeros compostos saudáveis, especialmente flavonóides, durante a industrialização do cacau. Inicia-se nos Estados Unidos e na Europa, particularmente entre adeptos da alimentação natural, o consumo direto de cacau natural, não torrado.